Review Gaia SH-01

4 de março de 2012 § 4 Comentários

Sei que não se trata de uma novidade, mas acho interessante postar mesmo assim porque falta muito material sobre ele.

Construção
O equipamento é sólido. A carcaça é de plástico mas bem rígida e firme. No painel principal existe uma placa de metal abaixo dos knobs/sliders. As teclas são leves, confortáveis, não balançam sob os dedos. O mesmo para os knobs e sliders, firmes e tem tamanho adequado.

Controles
O pitch/mod é o mesmo que em todos os outros Roland. Não me agrada 100% mas facilita quando se quer usar bend e mod ao mesmo tempo. O D-Beam também funciona como planejado, podendo ser utilizado com o volume, pitch e assignable, onde se pode assinalar praticamente qualquer knob ao D-Beam. No geral é tudo muito na cara, um knob para cada função, mas alguns extras estão escondidos, principalmente na oarte de efeitos. O manual explica muito bem todos os atalhos.

Estrutura
Cada patch possui 3 osciladores. Cada oscilador possui seu próprio filtro, amplifier e LFO independentes. Acho que essa estruturação é bem legal por não limitar o uso de apenas um tipo de filtro por exemplo. Rsumindo, cada oscilador é independente do outro. Um ponto negativo é a impossibilidade de dividir os osciladores para tocar em apenas uma parte do teclado (pelo menos na versã atual). Cada oscilador possui ainda um LFO adicional para modulação, que pode ser configurado também de forma completamente independente.

Osciladores
Nessa parte o equipamento peca um pouco. Tenho praticamente certeza de que é um ROMpler, onde as waveforms são amostras. No geral a qualidade do que se escuta não é ruim se comparado a outros equipamentos no mesmo valor, mas em relação a algo como o V-Synth GT tem muito menos peso. As variações (3 de cada waveform) permitem mudanças sutís aos osciladores.

Os parâmetros Fine Tune e Coarse tune funcionam bem, mas no último, a afinação não condiz exatamente com o gráfico ao lado. Apresenta também um envelope do pitch (apenas AD), PW e PWM (estes dois somente para a onda pulse, segundo indicativo de que as waves são amostras). Pode-se ainda utilizar modulação entre os osciladores, com Ring Modulation (que funciona até bem) e Sync (que permite apenas sons monofônicos, o que pra mim é um ponto negativo).

Filtro
É bem completo. Tem os principais tipos de filtro em 2 e 4 polos, com resonance e Keyfollow. O envelope tem uma resolução padrão dos digitais, precisando de movimentos muito finos quando se quer valores rápidos para cada parâmetro. Uma grande falha, ao meu ver, é a impossibilidade de modular o filtro utilizando o pitch/mod como em muitos outros equipamentos (embora possa ser feito com o D-Beam).

Amplificador
Bem básico, envelope ADSR e volume de cada oscilador individualmente. Sem opções de overload ou overdrive. No geral cumpre bem o que se pretende. Não é muito rápido e a resolução não é das melhores, mas é semelhante aos concorrentes.

LFO
Também bem completo. Pode ser controlado por frequência ou sincronizado com o tempo. Possui fade in e permite modulação do pitch, filtro e volume (com sensibilidades individuais), editável através de sliders. As formas de onda também são variadas, desde triangular até sample&hold e random. O segundo LFO, aplicável ao pitch/mod é completamente individual e completo.

Efeitos
Básico mas ao mesmo tempo incrivelmente completo. Possui todos os efeitos básicos necessários em synths. São divididos em cinco categorias: distorção, flanger/phaser, delay, reverb e low boost. Um comentário a fazer é que muitos reclamam da não existência de Chorus, o que não é bem assim… o algoritmo do Pitch Shifter permite gerar um Chorus, com poucas variações mas permite. Os efeitos possuem no geral 4 controles, que variam de acordo com o efeito. 2 destes controles são diretamente pelos 2 knobs dedicados e os outros 2 pelo uso do SHIFT+knobs. No caso de uma distorção por exemplo, controla-se o drive, gain, tipo e tone. No total é possível encadear 5 efeitos, um de cada categoria.

Adicionais
O Gaia SH-01 possui uma placa de áudio integrada, podendo transmitir e receber áudio via USB. Isso é ótimo porque permite que se grave seu som em um DAW apenas utilizando um cabo USB comum. Além disso, o equipamento também recebe e envia MIDI via USB, funcionando como um controlador MIDI (um defeito grave é não enviar dados através dos knobs).

Um outro adicional é um gravador de frases, com poucos compassos, mas existente. Isso permite criar sequencias curtas como nos sintetizadores antigos. O arpejador é razoável, possuindo 64 arpejos não editáveis (embora exista uma ferramenta alternativa que permite a edição desses padrões – disponível em http://www.grauw.nl/projects/gaia-tool/ ). Um botão HOLD permite a edição do som/tocar ao vivo ao manter as últimas teclas, permitindo a movimentação de vários knobs simultaneamente.

Demonstrações

Os timbres abaixo foram criados por mim para o Gaia sem utilizar nenhum efeito (para não mascarar a qualidade de cada sessão citada acima). No geral se consegue criar sons interessantes. Uma categoria que na minha opinião se sai muito bem é a dos pads, devido à forma de onda SuperSaw e também à polifonia.

Conclusões e comentários
O Gaia SH-01 é um equipamento portátil, bem leve, mas que possui uma qualidade melhor do que a esperada pelo valor (varia de R$1800-2000 – acabei de vender o meu usado por R$1175 + R$75 de frete). Construção sólida, sonoridade e preço acessível tornam esse equipamento ótimo para estudar/ensinar/aprender sobre síntese subtrativa. Possuindo os principais parâmetros de um sintetizador bem na cara facilita muito a edição rápida do som. Devo lembrar que o equipamento é completamente independente do computador e tudo é editável pelo próprio teclado de maneira bem simples.

Os presets não mostram nem metade das possibilidades e parecem estar voltados para a música eletrônica, mas garanto que o Gaia é capaz de reproduzir uma grande variedade de sons, dos clássicos aos modernos. Obviamente, existem outros pontos negativos, como o portamento sem muitas opções (ex.: portamento apenas quando se toca legato – o que não existe no Gaia), arpejos não editáveis, etc. mas acredito que por se tratar de um equipamento entry-level, já era de se esperar.

Diria para quem quer iniciar pelo mundo da síntese que o Gaia SH-01 é o que procura! Me ajudou muito e aposto que ajudaria a qualquer iniciante.

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§ 4 Respostas para Review Gaia SH-01

  • Gui Mittmann disse:

    Oi, ótimo material sobre o GAIA, parabéns! Será q Rola um comparativo entre ele e o novation X-Station?

    • synthway disse:

      Cara, adoraria fazer algo de gênero. Uma pena que não tenho nenhuma experiência com o X-Station. Se alguém onde moro tivesse seria mais fácil.

      Acho que comparar apenas com dados de manual ou vídeos de internet seria muito falho.

  • Daniel Hestermann disse:

    Obrigado pelo review!!! Eu estou precisando comprar um sintetizador nessa linha para completar o meu setup junto com o Korg X50. Pensei no Gaia, mas li algumas criticas negativas com relação ao som e a questão de não ter um LCD pra eu saber em que patch estou me deixa com um pouco de receio.

    Vou usar ele principalmente para performance ao vivo. Toco covers de Rock variados e busco ele para sons de lead, pads e efeitos. Algo como Depeche Mode e Muse.

    Você recomenda ele para esse caso? Estou olhando também o Novation UltraNova. Mas as interface do Gaia (botões todos na cara) me agradou mais.

    Como resolver esse problema da falta do LCD?

    Obrigado e parabéns pelo Blog! Abs

    • synthway disse:

      Olá Daniel, obrigado pelas palavras em relação ao blog!
      Durante um bom tempo recomendei instrumentos de acordo com a minha opinião pessoal. Hoje sou mais cético em relação a isso e prefiro não sugerir algo apenas pelo meu gosto pessoal.
      O Gaia não precisa de LCD pra nada. A troca de timbres é incrivelmente simples (basta apertar um botão) e a disposição desses timbres é igualmente simples. São separados em 8 bancos com 8 timbres, num total de 64.
      Acho o Gaia suficiente para tocar esse tipo de som, mas não posso afirmar que será melhor que um Ultranova. São instrumentos equivalentes, sendo que o Novation permite uma edição bem mais profunda dos timbres, permitindo assim resultados mais complexos. Entretanto, a interface do Gaia, como relatado no review, é uma das melhores que observei em um sintetizador até hoje. De qualquer forma, acho que minha indicação vai pro Novation, mesmo sem nunca ter tocado um…
      A escolha será sua! 🙂
      Abraço!!

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